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The Callisto Protocol™_20221206164534

The Callisto Protocol – Análise

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Release Date
2 Dezembro, 2022
ESTÚDIO
Striking Distance
GÉNERO
Terror/Sobrevivência
PLATAFORMA
PS4 e PS5

The Callisto Protocol é o primeiro lançamento de Striking Distance Studios, estúdio liderado por Glen Schofield, ex-Visceral Games e que oferece-nos agora um jogo com grandes inspirações em Dead Space, mas que ao mesmo tempo tenta começar a escrever a sua própria história.

O espaço não está morto

The Callisto Protocol era considerado por muitos o sucessor espiritual de Dead Space. Esta mesma comparação acabou por prejudicar bastante o seu lançamento, pois grande parte dos jogadores esperava ver presente as principais mecânicas do título original, dando muito pouco espaço de manobra a The Callisto Protocol para adquirir a sua própria identidade.

As influências de Dead Space são bastante visíveis em The Callisto Protocol. Não há que negar, e os próprios produtores admitiram (afinal de contas grande parte deles estiveram ligados ao desenvolvimento de Dead Space).

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Não quer dizer com isso que a intenção do estúdio fosse seguir o mesmo trajeto de Dead Space. Não, não era essa a intenção. Tentaram pegar em alguns (bastantes) ingredientes de Dead Space mas adicionaram-lhe uma variedade de novas ideias e mecanismos que, para quem não estava à espera, não funcionou.

Não existe melhor exemplo da diferença entre os dois jogos do que o combate: The Callisto Protocol apresenta um estilo de combate bastante diferenciado do seu “antecessor espiritual“.

Longe de ser um jogo perfeito, consegue no entanto oferecer-nos um agradável entretenimento durante cerca de 10 horas, com uma narrativa minimamente interessante e que vai prendendo-nos, um combate que, após alguma frustração inicial, acaba por ser minimamente satisfatório e um aspeto visual impressionante, oferecendo-nos um nível de qualidade e detalhe incrível.

No olho da tempestade

A história ocorre no longínquo ano de 2320, onde o nosso personagem Jacob juntamente com o seu colega Max são responsáveis por levar carga na sua nave de transporte proveniente da Europa (lua de Júpiter) para Callisto (outra lua de Júpiter).

Rapidamente algo de inesperado acontece e são atacados por um grupo terrorista levando a que a nave se tenha despenhado na lua de Callisto. As forças de segurança são céleres a chegar, levando Jacob e o líder do grupo terrorista (Dani Nakamura) para a prisão de Black Iron.

A narrativa de The Callisto Protocol consegue ser suficientemente cativante para manter-nos minimamente interessado ao longo da sua duração, embora sofra de um problema de previsibilidade e pouca profundidade.

Um dos aspetos que leva a narrativa para a frente é a brilhante interpretação dos personagens. Todos eles estão exímios na sua representação, embora o destaque sejam os papeis de Jacob (Josh Duhamel) e Lili (Karen Fukuhara).

O realismo das expressões durante as cutscenes juntamente com os diálogos conseguem elevar a qualidade da história para um patamar acima.

The Callisto Protocol é um jogo linear. O jogador tem de seguir um determinado caminho rumo ao objetivo, raramente tendo a liberdade de divagar ou explorar outras alternativas. Infelizmente o jogo não oferece muito por onde explorar além de algumas poucas salas ou túneis que no final podem recompensar com munições ou com um alien a saltar-nos na cara.

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O nosso personagem, Jacob, não tem nenhuma habilidade especial (além de se conseguir esquivar de todos os ataques possíveis e imaginários). Acaba por não ser ágil ou sequer ter alguma uma grande aptidão de luta o que ajuda na tensão em grande parte dos combates, o tempo que demora a curar-se, a recarregar, a correr, tudo complica a nossa movimentação nos momentos de maior tensão.

Esquerda, direita, esquerda, direita, ataque

Jacob é um personagem “pesado” e isso sente-se na jogabilidade. Fazendo uma comparação, Jacob é a antítese de Alloy de Horizon Zero Dawn/Forbidden West. Enquanto que Alloy salta, rebola, corre, desvia-se, tem uma série de ataques entre muitas outras habilidades, Jacob é muito mais estático. Apenas consegue desviar-se dos ataques curvando-se para a esquerda e para a direita, consegue ter um ataque fraco e um ataque forte (com uma barra de ferro/bastão) e pouco mais.

E é com estas limitações que Jacob tem de enfrentar esta série de monstros. Quando atacado só temos que pressionar alternadamente a direção na qual queremos desviar-nos do ataque, esperando que o nosso inimigo pare de atacar para aí sim podemos infligir o nosso golpe com um ataque leve ou pesado. Também é possível tentarmos defender o ataque, recuando, mas esse mecanismo raramente é utilizável pois perdemos sempre um pouco de vida.

Este mecanismo de desviar dos ataques acaba por não ser do agrado de todos os jogadores. Pessoalmente confesso que no início também não estava a gostar do combate. No entanto com o desenrolar do jogo vai-se começando a aperfeiçoar e a melhorar neste mecanismo de desviar do ataque e acaba por se tornar agradável de jogar. Usando o ditado popular: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

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O combate não se resume a corpo a corpo. Também existem armas de fogo que permitem abater os inimigos à distância. Um pouco como em Dead Space, também é possível desmembrar os nossos inimigos, facilitando-nos um pouco a vida de terminar a tarefa com combate corpo a corpo.

As armas disponíveis durante o jogo resumem-se a variações de pistola, caçadeira e assault riffle dando a impressão que podiam ter sido acrescentadas mais armas ao jogo e não tão tradicionais. Custa a crer que daqui a 300 anos continuemos a usar as mesmas armas que usamos hoje.

A utilização de armas assume uma maior importância quando estamos a combater mais do que um inimigo em simultâneo, visto que o combate corpo a corpo tem alguns problemas quando lutamos contra uma série de inimigos. Por vezes queremos contra-atacar um inimigo específico mas por algum motivo o ataque sai completamente ao lado ou noutro inimigo.

Outra maneira para controlar multidões é através de uma habilidade que conseguimos desbloquear ainda cedo no jogo e que nos permite levitar objetos ou inimigos e atirá-los contra uma parede ou de uma ponte abaixo. Infelizmente o leque de objetos que se consegue levitar não é tão grande, e apenas objetos pré-estabelecidos para o efeito podem ser atirados contra inimigos.

The Callisto Protocol não é um jogo propriamente fácil, principalmente na parte onde temos de lidar com vários inimigos em simultâneo. Também não ajuda o facto dos checkpoints serem por vezes demasiado espaçados, e mesmo que salvemos o jogo entre checkpoints, o jogo irá colocar-nos no ponto de partida inicial.

Que barulho é este?

O ambiente é no jogo é bastante tenso, pelo menos nas primeiras horas. Inicialmente tudo é uma incógnita e nunca sabemos o que nos poderá acontecer ou quem poderemos encontrar gerando alguns momentos de tensão elevada e alguns sustos provocados pelo aparecimento inesperado de algo ou alguém.

No entanto com o decorrer do jogo tudo começa a ficar mais previsível. O facto do jogo manter a linearidade dos inimigos e dos encontros, apesar dos diferentes cenários, acaba por nos preparar para as surpresas que vamos encontrando, perdendo-se com isso muito do ambiente tenso e dos sustos que encontrámos nas primeiras horas de jogo.

Em Black Iron não existem muitas caras simpáticas

A variedade de inimigos em The Callisto Protocol é relativamente reduzida e quase todos têm o mesmo tipo de movimentação. Consequentemente temos de repetir vezes sem conta o mesmo tipo de defesa (da esquerda para a direita ou vice versa). Há pequenas variações desses inimigos que ou são do género kamikaze e vêm na nossa direção e explodem, ou são do tipo sanguessugas. Com o desenrolar do jogo também é introduzido um novo tipo de inimigo mutável, que se não for morto logo, torna-se mais forte e mais difícil de matar.

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Existe outro tipo de ameaça que são os robots de segurança que têm o objetivo de eliminar qualquer tipo de ameaça, ou seja nós. Este robots de segurança estão muito bem desenhados e acabam por ser um dos maiores focos de tensão que The Callisto Protocol oferece.

Já o mesmo não se pode dizer em relação aos bosses. Existem dois bosses no jogo: um deles, apesar de dar uma luta interessante é reciclado até à exaustão (temos de lutar com este mesmo boss cerca de quatro vezes). Já o boss final é completamente desproporcional à mecânica do jogo. Para eliminar as várias fases deste boss é necessário alguma agilidade que o nosso personagem não oferece.

Mas não é só do combate que The Callisto Protocol é feito. Também existem alguns puzzles básicos que temos de resolver para conseguir abrir algumas portas. Apesar de básicos é pena que a Striking Distance não tenha apostado mais na criação e implementação de variados puzzles no decorrer do jogo.

Um jogo ou um filme?

Graficamente o jogo é extraordinário, provavelmente do melhor alguma vez feito principalmente nas cutscenes. A atenção ao detalhe é enorme sendo possível ver várias vezes Jacob a limpar o suor ou a ficar cheio de salpicos de sangue. The Callisto Protocol não fica a dever nada em termos visuais, sendo ainda possível optar pelo modo performance (60fps) ou pelo modo fidelidade (30fps).

O qualidade do detalhe não se restringe apenas aos personagens e também está presente quer nos nossos inimigos quer no ambiente em nosso redor. Felizmente The Callisto Protocol oferece-nos uma variedade grande de cenários que incluem a prisão de Black Iron, a parte exterior da lua de Callisto, túneis, uma estação abandonada, entre outros. Todas os cenários estão sempre cheios de pormenores e objetos extremamente detalhados.

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Outro dos pormenores extremamente pormenorizado são as animações quando o nosso personagem morre. São bastantes e diferenciadas as animações onde Jacob é brutalmente morto. variando consoante o cenário e o inimigo que estamos a defrontar. O único problema é não podermos fazer skip destas cenas, sendo que alguma delas têm uma duração considerável e que à terceira ou quarta vez deixa de ter o mesmo impacto.

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The Callisto Protocol
The Callisto Protocol é um bom ponto de partida. Apesar de existirem alguns problemas estruturais, consegue-nos manter cativados ao longo da sua história.
Positivo
Gráficos
Interpretações das personagens
Ambiente
A melhorar
Pouca variedade de inimigos
Narrativa demasiado previsível e sem grande profunidade
Jogo demasiado linear e com pouca exploração
8

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