EA Sports FC 26 é apresentado pela EA como o jogo mais baseado no feedback da comunidade até à data. Mas será essa aproximação suficiente para recuperar a confiança dos fãs após anos de altos e baixos?
Não percam na continuação da nossa análise.
Breve viagem no tempo
O primeiro simulador da EA, FIFA International Soccer (ou FIFA 94), chegou em dezembro de 1993 e marcou um ponto de viragem no género, tanto visualmente como em jogabilidade. Desde então, ano após ano, a editora lança uma nova versão — primeiro sob a marca FIFA e, desde 2023, como EA Sports FC — trazendo novidades maiores ou menores, sempre entre o equilíbrio do feedback da comunidade e as ideias internas da empresa.
EA Sports FC 26 apresenta-se como algo bastante diferente da fórmula anual que a EA tem usado, propondo-se a incorporar as ideias e sugestões que a comunidade dá, mesmo que algumas sugestões sejam contraditórias de si mesmas.
It’s in the game
Obviamente que um dos tópicos de maior discussão é a jogabilidade. O problema é que existem vários gostos e é difícil (ou até impossível) arranjar um consenso entre jogadores sobre como a jogabilidade de FC deve ser apresentada. Existem jogadores que preferem abordagens mais lentas, táticas e realistas, enquanto outros apenas preferem jogos mais abertos, rápidos e mais arcada.
EA Sports FC 26 tenta resolver isso oferecendo dois modos de jogo. Competitivo ou autêntico. Com estes dois modos de jogo, a EA tentar agradar a todos. Provavelmente não o conseguirá, mas é sem dúvida uma excelente iniciativa e que faz todo o sentido.
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Duas formas de jogar
O ponto central dessa mudança está na jogabilidade. Desde sempre, este é o tema que mais divide os fãs, porque é impossível agradar a todos. Há quem prefira um estilo mais lento, tático e realista, enquanto outros procuram partidas rápidas, abertas e quase ao estilo arcade.
A solução proposta em FC 26 passa por oferecer dois modos distintos: o modo competitivo, mais ágil e dinâmico, pensado sobretudo para a vertente online; e o modo autêntico, mais pausado e calculista, ideal para quem procura realismo, em especial nos modos offline.
Competitivo: diversão em alta velocidade
No modo competitivo, a velocidade é tudo. Os jogadores movem-se rapidamente, os comandos respondem de forma quase instantânea e mesmo atletas com ratings mais baixos conseguem ser eficazes e ágeis. Isso torna o jogo mais divertido e dá espaço para experimentar plantéis menos óbvios. O rating conta, claro, mas elementos como o estilo de corpo, os playstyles e a posição influenciam ainda mais.
Na prática, o drible com o analógico esquerdo é tão fluido que grande parte dos jogadores parecem controlar a bola como verdadeiros craques. A carga de ombro, por outro lado, perdeu eficácia e isso torna a defesa mais complicada. Resultado: avançados rápidos são especialmente perigosos, e os jogos tornam-se recheados de golos. Pode não ser realista, mas é viciante e divertido, e no fundo é isso que acaba por importar.
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O problema é que defender nunca foi tão difícil. Cada corte falhado custa caro, e muitas vezes basta um erro para o adversário ter caminho livre para a baliza. Além disso, regressou em força o famoso kick-off glitch, com a defesa a descompensar após o pontapé de saída. A EA já reconheceu o problema e prometeu uma atualização em outubro para corrigi-lo.
Autêntico: realismo dentro e fora de campo
Já o modo autêntico é feito a pensar na experiência offline. O ritmo é mais lento, as oportunidades são mais escassas e a sensação de realismo é maior. Este estilo de jogo encaixa perfeitamente nos modos de carreira, tanto de treinador como de jogador.
No modo carreira de treinador, surgem novidades relevantes. Ao longo da época, acontecem mais eventos que influenciam a moral e o rendimento dos jogadores, como insatisfação com o clube ou saudades de casa — algo que lembra um pouco o que já vemos em Football Manager. Existe também uma nova dinâmica de mercado de treinadores, onde os clubes procuram técnicos consoante a filosofia e estilo de jogo que defendem. Os relatórios dos olheiros foram melhorados e são agora mais detalhados e fáceis de acompanhar. Foram ainda adicionados desafios live, em que o jogador tem de cumprir objetivos específicos — desde evitar uma descida de divisão até conquistar o campeonato com determinado plantel.
No modo carreira de jogador, a principal novidade são os Archetypes, que também chegaram ao modo Clubes. Estes permitem escolher árvores de atributos e playstyles específicos, desenvolvendo o jogador de acordo com o estilo de jogo desejado.
Jogabilidade ainda a ser afinada
Obviamente que a jogabilidade à data de hoje poderá ser alvo de revisão por parte da EA. Não seria a primeira vez isso acontecesse após lançamento. Não vamos dizer que não precisasse dos alguns toques, principalmente com um aumento da eficácia da carga de ombro/corpo, mas estamos bastante entusiasmados e motivados com a rapidez que o jogo oferece.
Como é obvio, se os atacantes estão extremamente overpowered, a missão dos defesas fica mais difícil, ainda para mais com a tal limitação da carga de ombro. Em EA Sports FC 26 é extremamente difícil defender, e jogos com muitos golos são uma constante. Pode não ser realista, mas é bastante divertido e no final do dia é isso que realmente importa.
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Além disso, cada vez que falhamos um corte perdemos bastante tempo, que muitas vezes se torna fatal. É preciso, como nunca, apenas arriscar um corte quando temos a certeza que este terá sucesso, caso contrário dá-se uma janela enorme de oportunidade para o avançado correr em direção das nossas balizas.
Infelizmente há problemas que ainda persistem e até parece terem piorado. Falamos do famoso kick off glitch onde a equipa parece que se descompensa defensivamente, sendo extremamente difícil de defender. A EA parece já ter reconhecido o problema e promete um update para resolver o problema com um update a ser lançado em Outubro.
Modo Clubes mais modesto nas novidades
O modo Clubes viu relativamente poucas novidades. Além dos Archetypes o destaque vai para uma “Ultimate Teamalização” do modo, com mecanismos da progressão de cartas bronze até Ícone e multiplicadores de XP (consumíveis).
É uma aproximação do jogo ao modo-excelência de EA FC, o Ultimate Team.
O Rush continua presente, mas não é para todos
O modo Rush apresenta o seu conhecido formato 5v5 integrado em todos os modos principais do jogo. Esta nova experiência aproxima os jogadores da ação, com menos atletas em campo, mais tempo com a bola e um conjunto de ferramentas de comunicação desenhadas de raiz para potenciar a cooperação.
A grande vantagem do Rush é a versatilidade: pode ser jogado em Ultimate Team, Clubes, Kick-Off e até no Modo Carreira. Em cada um destes contextos, este modo assume uma identidade própria, mantendo sempre a essência de partidas rápidas, intensas e sociais.
No Ultimate Team Rush, é possível montar um plantel de sonho em versão “5 para cada lado” competir lado a lado com amigos (cada um controlando o seu jogador favorito) e conquistar recompensas em encontros curtos e cheios de intensidade. Já no Clubs Rush, a EA aposta na vertente social: o modo elimina os jogadores de IA e obriga à coordenação entre colegas reais, com vitórias a renderem pontos tanto para o clube como para o ranking individual de cada jogador.
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Ultimate Team recheado de novidades
O Ultimate Team continua a ser o grande destaque e chega com mudanças interessantes. Volta a ser possível descer de divisão no Rivals, evitando que os jogadores fiquem presos em divisões demasiado altas. Foram introduzidos bounties aleatórios que oferecem recompensas como XP ou pontos extra, e os antigos amigáveis deram lugar aos Live Events, que mantêm a lógica de torneios com pré-requisitos, mas com um novo nome.
Como foi dito, os amigáveis desapareceram e deram origem aos Live Events, que parecem ser mais um rebranding do nome do modo. Em termos de mecânicas mantem-se mais ou menos igual, tendo que cumprir certos pré-requisitos para conseguir jogar os torneios. Já o modo Gauntlet tem, para já, uma premissa interessante onde jogamos um número determinado de jogos (neste primeiro são 3) por dia e não podemos repetir nenhum jogador, ou seja, temos de apresentar três planteis (suplentes incluídos).
Os menus de Ultimate Team também foram revistos, sendo bastante mais intuitivos e interligados, principalmente no que diz respeito aos objectivos. Uma excelente melhoria que resolve o problema antigo dos menus desconexos e pouco interligados. No entanto, ainda existem alguns problemas com os menus, onde por vezes os menus “encravavam” e obrigavam-nos a voltar para o menu anterior.
Em conclusão
EA Sports FC 26 marca uma rutura positiva na série ao introduzir dois estilos de jogabilidade distintos e mais profundidade nos modos carreira. O modo competitivo privilegia a velocidade e a diversão imediata, enquanto o autêntico aposta no realismo e na imersão. Ultimate Team recebeu melhorias que prometem devolver-lhe algum do brilho perdido nos últimos anos.
Nem tudo é perfeito: a defesa continua pouco equilibrada, a carga de ombro perdeu peso e problemas antigos como o kick-off glitch persistem. Ainda assim, a sensação é clara: a EA está finalmente a ouvir os jogadores e a tentar responder às suas exigências.
Pode não ser a revolução que todos pediam, mas é, sem dúvida, a edição mais ousada e promissora da série em muitos anos.





