Death Stranding Directors Cut

Death Stranding: Director’s Cut – Análise

Um passo em frente da obra-prima de Hideo Kojima

Death Stranding Directors Cut
Release Date
24 Setembro, 2021
Estúdio
Kojima Productions
Género
Acção
Plataforma
PS5

Death Stranding – Director’s Cut é a experiência definitiva do mais recente capítulo do lendário criativo, Hideo Kojima e conta-nos a aventura de Sam Bridges numa versão expandida e remasterizada para a PS5.

Estamos praticamente a dois anos do lançamento de Death Stranding, o controverso título de Hideo Kojima que revolucionou o universo dos vídeo-jogos com um auto-intitulado modo de jogo chamado “social strand“.

Com o sucesso confirmado no seu lançamento, o título mereceu agora uma nova edição em exclusivo na consola da nova geração (PS5) tornando-se assim a edição definitiva para quem queria começar a jogar ou até mesmo para quem já jogou uma vez que esta edição contém todo o conteúdo descarregáveis que tinha saído no PC bem como novas estruturas de construção, veículos, armas e novas áreas para explorar através de um conjunto de novas missões.

Mas antes de contarmos qual foi a nossa experiência neste regresso, convidamos-vos a que façam uma breve leitura na nossa análise de 2019 onde ficámos completamente rendidos a Death Stranding.

Um pouco de contexto para quem nunca jogou

Death Stranding conta-nos a história de Sam Porter Bridges, ou para os amigos Sam (Norman Reedus). Um famoso homem de entregas que arrisca a sua vida diariamente ao atravessar paisagens devastadas para transportar todo o tipo de encomendas entre os vários abrigos.

Tudo decorre num futuro próximo onde o nosso planeta foi atingido por misteriosas explosões que provocaram eventos sobrenaturais e sem explicação que se intitularam de Death Stranding.

Destes eventos sobrenaturais, ficaram autênticas crateras no planeta e viveu-se o começo de uma nova extinção em massa onde os poucos que conseguiram sobreviver, tiveram que se refugiar em abrigos e esperar pela ajuda.

A derradeira missão de Sam é respeitar o pedido da futura presidente da UCA (United Cities of America), Amelie (Emily O’Brien), que lhe pede para activar os vários nós, ou abrigos se preferirem, que se encontram espalhados pela UCA.

Análise a Death Stranding

Estas ligações foram perdidas pelas várias explosões e por ataques feitos por outras forças rebeldes que continuam a operar. Como um experiente homem das entregas, Sam é recrutado para esta missão por ser alguém que conhece o terreno e mais que isso, tem uma ligação às entidades sobrenaturais que surgiram durante a extinção: os BTs (Beached Things).

Para o ajudar nesta viagem entre a vida e a morte e tentar salvar a civilização, Sam leva consigo um BB (Bridge Baby) – um bebé diferente do habitual.

Os “BBs” são bebés que foram retirados a mulheres que se encontram em morte cerebral, ligadas a máquinas e que ao estar neste estado, conseguem manter uma ligação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. O seu único propósito é serem usados como uma ferramenta contra os “BTs”, uma defesa.

Sempre que um operador, ou nesta caso, o Sam, entra numa zona onde hajam “BTs” – as tais entidades sobrenaturais que andam a deambular entre o mundo dos vivos e dos mortos, a tentar “puxar-nos” para o mundo dos mortos – o nosso “BB” activa-se e cria uma ligação de transe entre bebé e homem para que ambos possam como um só, sentir os BTs e se possível, evitar os confrontos.

Dito isto, vamos ao que importa para esta opinião: quais as novidades desta Director’s Cut?

Progresso da PS4 transita para a PS5 para quem quiser continuar onde ficou, bem como os troféus

De uma forma nada prática (não funciona com o save guardado na cloud), em que precisam de abrir o jogo versão PS4, exportar o vosso save e depois abrir a versão PS5 e importar o mesmo enquanto acedem a um terminal através do vosso cuff link. Um processo complicado que de certeza vai deixar alguns jogadores às voltas até lá chegarem.

Mas conseguindo importar o vosso progresso, todos os vossos troféus “saltam” no momento e caso tenham platinado na PS4, existem agora três novos troféus a afastar-vos da platina na PS5.

PS5 oferece todas as suas funcionalidades e eleva a experiência visual, sensorial e sonora

Visuais dignos da nova geração

Visualmente já era impressionante na PS4 e agora conseguiu ficar ainda melhor com muitos cenários a parecerem foto-realistas bem como um detalhe incrível em todos os personagens que encontramos.

Ao jogarem na PS5, podem contar com dois modos de jogo: Performance que oferece 4K até 60fps e Fidelity que proporciona 4K nativos e HDR reduzindo a frame rate. Para além destes modos novos, podem ainda jogar em Widescreen Mode para quem joga em ecrãs ultra-wide.

DualSense aproveitado no seu esplendor

O DualSense não podia ficar de fora e o feedback háptico está espectacular em Death Stranding, sente-se cada pedra nos pés de Sam especialmente em terrenos mais difíceis de atravessar bem como em várias situações desde confrontos com arma a quedas desajeitadas em rios. Os gatilhos adaptativos também melhoram a nossa forma de jogar variando a sensação entre as várias armas que disparamos.

Tempest 3D Audio convida-vos a jogarem com headphones (e nós também), a qualidade sonora em Death Stranding é de máximo rigor deste a banda sonora, escolhida a dedo por Kojima até às falas dos actores que chegam a envergonhar muitos filmes de Hollywood.

SSD da PS5 faz esquecer que existem tempos de carregamento

Escusado seria dizer que graças ao SSD da PS5, os longos tempos de carregamento estão no passado, em Death Stranding: Director’s Cut, nem chegamos a ter tempo de ver as horas, já estamos no meio da acção assim que premimos X.

Novo conjunto de missões e encomendas

Caso não tenham visto a revelação desta edição há uns meses atrás, partilhamos convosco de seguida o momento em que os fãs de Hideo Kojima ficaram loucos: o criativo decidiu adicionar a Death Stranding uma missão de homenagem à sua querida franquia: Metal Gear Solid.

Teaser original deixou os fãs rendidos pela ligação a Metal Gear Solid

Uma das novas áreas para explorar é uma fábrica em ruínas que foi desenhada com Metal Gear Solid em mente, toda a missão está cheia de pequenos (e grandes) pormenores que fazem lembrar-nos a obra original de Hideo Kojima. Os inimigos estão posicionados de forma a obrigar-nos a ser o mais silenciosos possíveis e o cenário está cheio de esconderijos para escapar-mos do seu olhar.

Não vamos entrar em detalhes para não estragar a vossa experiência mas fica a sugestão: se estavam com saudades ou gostam de Metal Gear, deviam mesmo fazer este nível – nem que seja pela nostalgia.

Porter, estás onde?

Um grupo de novas encomendas lançam-nos na procura e resgate de porters que perderam-se no seu caminho. Completando todas estas encomendas somos recompensados com algumas das novidades desta edição.

Novos modos de jogo que convidam a mais umas horas

Firing Range é uma área fechada em contra-relógio onde com um vasto arsenal nas vossas mãos, podem testar as várias armas do jogo em diferentes cenários. Pode servir também como uma forma de quebrar o ritmo do jogo e suprimir a lacuna porque alguns jogadores se queixaram no passado: adicionar mais acção.

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Firing Range a fazer lembrar as VR Missions de MGS

Enfrentem os vossos Pesadelos repetindo os combates contra os bosses que já derrotaram. Uma boa forma de quebrar a rotina ou até de mostrarem a algum amigo um combate específico.

Para os corajosos que gostam da condução de Death Stranding, que na nossa opinião, é um tendão de Aquiles do jogo, foi agora adicionada uma pista de corridas que podem construir no vosso progresso da história. Nesta pista, podem fazer várias corridas sozinhos, em contra-relógio.

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Mais items e um Buddy Bot para ajudarem atravessar os caminhos mais difíceis

Death Stranding: Director’s Cut adicionou três novas estruturas:

  • Catapulta: ao construírem a catapulta, podem disparar as vossas encomendas em longas distâncias e controlar a sua queda para garantir que não partem nada. Isto teria dado imenso jeito da primeira vez que jogámos.
  • Rampa de salto: puramente para diversão, estas novas rampas permitem fazer acrobacias em saltos a alta-velocidade (de mota, claro).
  • Quiral Bridges: umas pontes que permitem atravessar terrenos não demasiado complexos e provavelmente, a estrutura que menos vão construir das três.
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Boom!

Fora as estruturas, Sam Bridges pode agora construir o Support Skeleton que faz com que Sam consiga suportar maiores cargas de peso a troco de energia.

Buddy Bot veio fazer-nos companhia neste deserto mundo que atravessamos mas infelizmente pouco convida ao seu uso. Com o Buddy Bot podemos passar-lhe alguma da carga ou até pedir ao próprio para transportar-nos para onde quisermos. Infelizmente, o mesmo fica muitas vezes preso no mapa e sem saber por onde ir.

A nova arma, Maser Gun, electrifica os inimigos até estes desmaiarem e adiciona assim mais variedade ao combate. Para além da nova arma, Sam Bridges também adquiriu novas formas de combater como por exemplo, saltar para cima dos inimigos em corrida.

A personalização foi aumentada e agora até é permitido personalizar o aspecto da cápsula de BB.

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Agora podem dar outro aspecto à cápsula de BB

Um dos items mais divertidos que adicionaram foi uma espécie de hover jet que ajuda nas descidas rápidas. Sam consegue saltar e cair com estilo ao descer com apoio dos propulsores da sua mala.

Half-Life e Cyberpunk 2077 em Death Stranding

Não é uma novidade porque já existia na versão PC mas foi agora adicionado à PS5 os items de DLC dedicados a Half-Life como por exemplo os óculos de Gordon, um veículo único e…muito mais que não podemos revelar, convidamos a explorarem se não jogaram já no PC.

Cyberpunk 2077 oferece uma nova mota, a Yaiba Kusanagi e muito mais. Os óculos e braço e metálico de Johnny são outros dos items bem como uma pintura facial para Sam Bridges.

Para desbloquear todo este conteúdo, vão precisar de fazer mais um conjunto de missões o que acaba por acrescentar mais horas de conteúdo.

Encontrar o que fazer e com quem falar é um enorme desafio

Death Stranding usa o sistema de e-mail para orientar os jogadores sobre com quem devem falar ou para onde devem ir mas neste regresso, sentimos muitas dificuldades em saber com quem falar para desbloquear uma das estruturas uma vez que não houve qualquer e-mail a indicar o mesmo. Foi preciso correr as várias estações do jogo e procurar com quem falar algo que em Death Stranding resulta em muitas horas de jogo.

É aqui que está o maior ponto de melhoria: orientar melhor o jogador e simplificar a interface quando estamos a jogar; chega a ser tanta informação e com uma fonte tão pequena que de certeza que muita gente vai perder-se antes de começar a caminhada.

Foram adicionados elementos que ajudam Sam na sua navegação como por exemplo recomendações de caminho bem como a opção de ocultar informação no mapa mas não resolve todos os problemas que existem na interface que continua carregada com excesso de informação.

Ainda houve tempo para P.T. em Death Stranding

Hideo Kojima é conhecido por brincar com os seus fãs (e emoções) e para além dos easter egg de Metal Gear Solid que fomos encontrando, foi também adicionado um novo momento que é uma clara homenagem a P.T., título que nunca viu a luz do dia.

Se nunca jogaram e procuram um jogo diferente, joguem! Se já jogaram…voltem.

Numa altura em que os video-jogos estão muito saturados dentro do mesmo género, Death Stranding: Director’s Cut é uma lufada de ar fresco para quem procura uma forte narrativa, guiada por um ritmo de jogo que é controlado por vocês, recheado de excelentes momentos, visuais incríveis, tempos de carregamento ultra rápidos, DualSense, Audio 3D e muito mais. Tudo isto vai resumir-se a mais de uma centena de horas de jogo.

Se jogaram na PS4 e querem dar agora o salto para a PS5, podem faze-lo por 10€, ganhando assim acesso a todo o conteúdo disponível.

Hideo Kojima entrega o que esperamos não ser o seu último jogo da PlayStation conseguindo evoluir ainda mais o que já era na nossa opinião, uma obra-prima.

Death Stranding Directors Cut
O refinar de algo que já era único
Hideo Kojima entrega o que esperamos não ser o seu último jogo da PlayStation conseguindo evoluir ainda mais o que já era na nossa opinião, uma obra-prima.
Positivo
Uso total das capacidades da PS5
Oferece cerca de 10h de conteúdo adicional
Continua a ser uma excelente experiência para vivermos algo diferente
A melhorar
Navegação de menus podia ter sido melhorada
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